Reguladores, investidores e consumidores já apontam na mesma direção: embalagens mais sustentáveis, com conteúdo reciclado comprovado.
Esse movimento vem se consolidando especialmente na Europa e nos Estados Unidos, criando um novo cenário competitivo. Nesse contexto, a pergunta não é mais se haverá exigências para marcas e cadeias de suprimento, mas quando elas chegarão a todos os mercados.
Panorama global: movimentos em curso
Europa: metas claras e mercado reorganizado
Na União Europeia, a legislação avança com rigor e visão de longo prazo. A Diretiva de Plásticos de Uso Único (SUPD) determinou que garrafas PET devem conter pelo menos 25% de resina reciclada até 2025 e que todas as embalagens plásticas alcancem 30% de conteúdo reciclado até 2030. Mais recentemente, o novo Regulamento de Embalagens e Resíduos de Embalagens (PPWR) fortaleceu esse caminho ao padronizar o cálculo do conteúdo reciclado, definir critérios de reciclabilidade e impulsionar o design for recycling como requisito técnico.
Essas medidas criaram um mercado mais organizado, em que o rPET (PET reciclado) passou a ser um ativo valorizado — hoje com prêmio que pode variar de €650 a €800 por tonelada em relação à resina virgem. Além disso, a União Europeia discute novas certificações e impõe exigências de qualidade: garrafas usadas para rPET de grau alimentício devem vir de sistemas de coleta diferenciada, garantindo rastreabilidade e segurança. O resultado é um ecossistema mais robusto e competitivo.
Estados Unidos: evolução descentralizada
Nos EUA, o avanço acontece principalmente por legislações estaduais. A Califórnia já exige 15% de conteúdo reciclado em garrafas desde 2022, com a meta aumentando para 25% em 2025 e 50% em 2030. Washington segue na mesma linha, com calendário que prevê 50% até 2031.
O impacto dessas medidas já aparece nos números: em 2023, a taxa de coleta de garrafas PET chegou a 33%, o maior índice desde 1996, e o conteúdo médio de rPET em garrafas atingiu 16%, resultado de uma combinação entre pressão regulatória e compromissos de grandes marcas. Esse avanço mostra como as metas funcionam como sinal regulatório capaz de gerar novos equilíbrios na cadeia.
América Latina: passos iniciais e influência externa
Na América Latina, países como Chile, Peru e Bolívia já ensaiam metas obrigatórias ou programas voluntários, embora em escala ainda reduzida. Recentemente, no Brasil, o governo federal anunciou que prepara um decreto para estimular a reciclagem de plástico, segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin. Esse decreto propõe obrigar indústrias que colocam plástico no mercado a comprovar que são capazes de recolher esse plástico de volta, fortalecendo a economia circular e valorizando o plástico coletado, as cooperativas de reciclagem e a logística reversa. Embora o texto exato do decreto ainda esteja em elaboração, a iniciativa representa uma nova etapa na regulação brasileira de embalagens.
Cadeias globais de suprimento não podem esperar que cada país defina suas próprias regras. Ao negociar volumes, contratos e certificações, trazem padrões alinhados às legislações externas mais avançadas. Isso significa que o Brasil e outros países latino-americanos já estão inseridos nesse novo jogo, mesmo antes de uma legislação formal.
O que isso implica para as marcas?
Para as marcas que atuam em mercados como o Brasil, a mensagem é clara: não é preciso esperar que a legislação traga metas obrigatórias. As transformações já estão em curso e impactam diretamente a disponibilidade de rPET, a competitividade no fornecimento e a percepção de valor da embalagem.
Quem se adianta, seja estabelecendo metas próprias ou adaptando o design das embalagens para critérios de reciclabilidade, garante acesso a matéria-prima de qualidade em um mercado cada vez mais disputado e constrói credibilidade junto a consumidores e varejistas que olham para padrões globais.
Trata-se de uma decisão estratégica de posicionamento. Atrasar essa adaptação significa depender de um mercado mais restrito, com preços inflacionados e menos opções de fornecimento.
Estratégias de quem quer liderar
Antecipar-se exige visão de médio e longo prazo. Isso começa com o estabelecimento de metas internas alinhadas aos referenciais internacionais, mesmo que ainda não sejam exigidas localmente. Também passa pela incorporação do design for recycling como critério central no desenvolvimento de embalagens, assegurando que o produto final esteja preparado para atender às exigências que estão sendo adotadas globalmente.
Outra frente estratégica é o fortalecimento da rastreabilidade e da certificação do rPET utilizado. Em mercados mais avançados, como o europeu, apenas resinas provenientes de sistemas de coleta comprovados podem ser utilizadas em contato com alimentos. Estar em conformidade com esse padrão é um diferencial competitivo que posiciona as marcas em um patamar superior.
Além disso, a antecipação também significa construir parcerias sólidas. Estabelecer relações de longo prazo com recicladores certificados e plataformas de economia circular garante acesso a volumes consistentes e reduz a exposição a variações de preço, criando estabilidade para inovar de forma segura.
Como a Cirklo atua nesse processo
Como uma das maiores plataformas de economia circular de plásticos da América Latina, a Cirklo apoia empresas a mapear metas, desenvolver embalagens sustentáveis alinhadas aos critérios globais e garantir fornecimento certificado de resina PET-PCR com aprovação da ANVISA e FDA.
Mais do que fornecimento, atuamos como parceiros estratégicos, ajudando empresas a transformar a legislação de embalagens e a reciclagem de PET em vantagem competitiva. Vamos juntos planejar sua rota para liderar a economia circular? Entre em contato com o nosso time: [email protected]

